Do Amor de Ana e Aymen nasceu uma casa da amizade luso-árabe

Fica a dois passos do renovado Mercado de Campo de Ourique e quer trazer uma nova energia e um novo contributo cultural ao tradicional bairro lisboeta. A prometer ser uma fusão viva entre as culturas árabe e portuguesa, o Arte Al Café traz à cidade as cores, aromas, detalhes e ritmos do Magrebe.

time out 2010À entrada, ja se nota que este é um espaço distinto. Os motivos árabes desenhados na montra e os típicos cachimbos de shisha pousados sobre as mesas são os primeiros sinais de que vamos passar a outros mundos.

Pela sala principal prossegue o ambiente que vai buscar a Marrocos e à Tunisia muita da sua inspiração e, daqui, seguimos para uma pequena área mais reservada, um verdadeiro recanto árabe, onde sofás com base de madeira trabalhada se conjugam com grandes almofadas em tons de laranja, vermelho e amarelo, entre paredes que seguem o mesmo padrão de cores.

É uma verdadeira "esperiência luso-árabe", diz-nos Aymen, o tunisino que é a cara-metade deste novo Al Café. A outra responsável é a portuguesa Ana e a história do amor dos dois. O casalo conheceu-se quando Ana passava férias na Tunísia e entrou no bar em que Aymen trabalhava. Foi amor à primeira vista. Seis meses depois casaram-se e logo começaram a planear a abertura de um espaço em Portugal que unisse as suas culturas.

Assim nasceu o primeiro Al Café, já há quatro anos, na Estefânia. Agora, decidiram abrir uma segunda casa num dos mais tradicionais bairros alfacinhas. Neste espaço de inspiração magrebina dá-se a conhecer um pouco do Norte de África a par e passo com petiscos e hábitos portugueses. Querem que seja um local "acolhedor" para "conversar e conviver", beber um chá, petiscar ou fumar um cachimbo de água, com explica Aymen.

As decorações incluem peças de olaria e artesanato, colares berberes, espelho ou imagens de Marrocos pelas paredes. A iluminar o cenário, os tradicionais candeeiros de estilo árabe. "As pessoas adoram sentir estas cores quentes de Marrocos", diz-nos, Aymen. Ouvir as histórias entre pessoas que já estiveram nos países do Magrebe ou que sonham conhecê-los. E apesar dos equívocos de alguns, que já confundiram o espaço com um "café indiano" ou que até acharem que Aymen estava a "fazer aerossóis". Enquanto ao fundo ecoa uma banda sonora magrebina, conta-nos que querem tanto receber a comunidade árabe - que, como lamenta Aymen, é uma comunidade pequena -, como dar a conhecer um pouco desta cultura aos portugueses. Até porque, refere, há muitos "pontos comuns" nas histórias de ambos os povos. Mas também há diferenças, claro: não em vão, a pensar mais nos clientes portugueses, têm à venda bebidas alcoólicas. Não faltam também muitas propostas de chás e infusões, com nomes tão chamativos quanto Noites do Oriente, Aromas do Deserto, Beijo do Faraó ou Chá do Amor...

Para saborear, podem experimentar-se iguarias tradicionais de vários países de cultura árabe, do falafel, aos couscous ou brick à L'oeuf (espécie de folhado tunisino com atum, queijo e salada) - incluídos em pratos do dia que rondam os 4€.

Também se pode optar por uma noite com um completíssimo manjar árabe (com muitas entradas e pratos principais à escolha), mas aí é preciso reservar com antecedência. Porque, como exemplifica Aymen, há pratos muito específicos e demorados, como a tajine marroquina, que leva cerca de quatro horas a preparar, ou a gilbena (ensopado de carne com ervilhas, tradicional da Tunísia). As bebidas são à disccrição e no final a sobremesa (portuguesa) é à escolha, custando o menu 20€ por pessoa e incluindo café ou chá de menta. Mas os dias e as noites do Al Café prometem mais dinâmica, entre jogos de tabuleiro (terças) ou noites de quizz (quartas). A dança do ventre também é uma hipótese mas obriga igualmente a reserva prévia para noites especiais (festas temáticas, jantares de grupo, etc.).

Nos planos, também há lugar à relaização de exposições de fotografia, para mostrar um pouco mais das paisagens magrebinas, à criação de uma revista "metade árabe, metade em português" ou a tertúlias para "aproximar culturas" e "fomentar a tolerância". As mesmas razões que levam o casal a sonhar mais alto e a desejar que este café nascido de um amor entre Portugal e Tunísia se torne a se de uma futura associação.

Jornal Público - Fugas